Uma experiência vínica é construída por trabalhos diferentes. Há quem cuide da produção, quem dê continuidade à história familiar, quem organize a recepção e quem cozinhe. Na memória da viagem, esses trabalhos se encontram sem perder suas particularidades.
Os nomes que reunimos aqui pertencem aos relatos de FITAPRETA e Mouchão. Cada um abre uma entrada para a história: receber, produzir, conservar, compartilhar a mesa.
Alexandra Maçanita · receber e aproximar
Na FITAPRETA, Alexandra Leroy Maçanita dá um rosto à recepção. Seu trabalho com o enoturismo aproxima o Paço do Morgado de Oliveira, a adega e os vinhos das pessoas que chegam.
Interpretar uma casa exige escolhas. É preciso encontrar uma entrada para a conversa, perceber o interesse de quem visita e relacionar informações que, isoladas, poderiam parecer distantes. A hospitalidade participa dessa tradução.
Ao guardar Alexandra nesta coleção, preservamos sua ligação com o encontro. É essa presença situada, junto à FITAPRETA, que torna o retrato relevante para a memória de 2026.
Iain Reynolds Richardson · continuidade familiar
Iain Reynolds Richardson recebeu a WCE no Mouchão. A presença de alguém ligado à continuidade da família aproxima a propriedade de uma história que atravessa gerações.
Uma casa antiga precisa continuar sendo uma casa em atividade. O patrimônio convive com decisões, trabalho e responsabilidades no presente. A figura do anfitrião familiar permite reconhecer essa continuidade em escala humana.
No relato desta edição, Iain também pertence à mesa. Essa participação reúne a identidade da propriedade e a experiência de receber, duas dimensões que a visita pode aproximar.
Hamilton Reis · o trabalho da enologia
Hamilton Reis integra a memória da recepção no Mouchão como enólogo. Seu papel acrescenta a perspectiva de quem trabalha com o vinho e acompanha as decisões da produção.
A enologia oferece uma leitura particular do tempo. Cada colheita precisa ser compreendida por suas condições e por aquilo que a casa procura expressar. O histórico de uma propriedade encontra, aí, o trabalho de observar e decidir.
Preservar a função junto ao nome evita que a memória reduza todos os anfitriões ao mesmo papel. Hamilton aparece pela contribuição específica da enologia ao encontro.
Eva Lafita · a cozinha prolonga a visita
A chef Eva Lafita está associada ao almoço com os anfitriões no Mouchão. Sua cozinha integra a convivência que dá continuidade à passagem pela casa.
Uma refeição organiza outro tempo de presença. As pessoas permanecem, a conversa pode voltar a um assunto e o vinho passa a fazer parte da mesa. O trabalho de cozinhar sustenta esse encontro.
É por isso que Eva pertence a esta história com nome e função. A memória do Mouchão inclui a adega, mas também a cozinha e quem tornou possível compartilhar aquele almoço.
Perfis editoriais a partir dos relatos de recepção da curadoria WCE. Não reproduzem falas atribuídas aos anfitriões.