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Casa e território · Casa da Passarella e Quinta do Soito · Dão

O Dão encontra outro começo.

Entre as vinhas antigas da Passarella e o projeto familiar de Sandra e José Carlos Soares, a região revela duas formas de continuar: recuperar um patrimônio e decidir começar a produzir.

Edifício histórico da Casa da Passarella
Casa da Passarella · fotografia institucional da propriedade.

Uma parada numa loja de vinhos pode abrir uma história longa. Na Casa da Passarella, nomes como Villa Oliveira, Vinha das Pedras Altas e Vinha do Províncio conduzem a parcelas, variedades e modos de elaborar o vinho. Escolher uma garrafa é também escolher por onde começar a conhecer a propriedade.

O Soito acrescenta outra escala de tempo ao Dão. O projeto nasceu em 2013, por iniciativa de Sandra e José Carlos Soares, um casal de professores. Entre uma casa ligada ao século XIX e uma empresa familiar recente, a região apresenta histórias que continuam a se formar.

Passarella: uma vinha pode ter muitos nomes

A Casa da Passarella apresenta sete vinhas próprias, com diferentes exposições e conjuntos de castas. Entre elas estão Pedras Altas, Províncio e Pai D’Aviz. Dar nome às parcelas permite reconhecer diferenças dentro de uma propriedade que, vista de fora, poderia parecer uma unidade.

Na apresentação do Villa Oliveira Vinha das Pedras Altas, a casa descreve uma vinha antiga com variedades misturadas, entre as quais Baga, Alfrocheiro e Touriga Nacional. O vinho reúne essa diversidade plantada. A origem começa num conjunto que já existe no terreno.

O Vinha do Províncio abre outra conversa: a elaboração de brancos com contato entre o mosto e as películas, prática conhecida como curtimenta. A casa relaciona essa escolha à pesquisa de seus métodos históricos. Conhecer o vinho permite, assim, aproximar agricultura, técnica e memória.

No programa WCE, a Passarella tem uma passagem breve pela loja. Esse formato tem seu próprio interesse: ouvir sobre as referências disponíveis, reconhecer nomes e levar uma pergunta adiante. O conteúdo da casa não depende de transformar toda parada numa visita longa.

Soito: a decisão de começar

Quinta do Soito entre vinhas, no Dão
Quinta do Soito · fotografia institucional da propriedade e das vinhas.

Sandra e José Carlos Soares deram início à Soito Wines na quinta em que vivem com a família. Essa proximidade entre moradia e produção situa a história numa escala pessoal. A propriedade participa do cotidiano de quem decidiu construir o projeto.

A adega foi concebida para aproveitar o declive do terreno e incorporar a gravidade ao processo de vinificação. É um detalhe que relaciona a decisão de produzir à forma física do lugar. A casa recente também precisou interpretar o terreno que recebeu.

A história convida a perguntas sobre o começo: por qual vinho iniciar, como escolher a primeira colheita, o que aprender antes de ampliar a produção. Essas decisões aproximam o visitante do risco e da atenção presentes na construção de uma identidade.

Comparar as maneiras de contar

No repertório do Soito aparecem Encruzado, Jaen, Alfrocheiro e Touriga Nacional, além de referências de vinhas velhas. Castas, parcelas e colheitas oferecem entradas diferentes para conhecer a casa. A variedade dos nomes ajuda a organizar a curiosidade, sem exigir que o visitante domine tudo de antemão.

Na Passarella, a pesquisa do patrimônio e dos métodos antigos ocupa um lugar explícito. No Soito, a trajetória recente dos fundadores dá outra proximidade às escolhas. As duas casas mostram como uma região pode ser reconhecível sem repetir uma única biografia.

O encontro entre elas também muda o sentido de tradição. Um conhecimento pode ser retomado depois de muitos anos; uma família pode construir agora algo que outra geração receberá. O Dão continua tanto no que preserva quanto no que começa.

Uma garrafa mantém a pergunta aberta

Depois de conhecer os nomes de uma vinha ou o começo de um produtor, procurar seus vinhos deixa de ser uma busca inteiramente abstrata. Há um detalhe ao qual voltar: uma parcela misturada, um branco de curtimenta, uma decisão familiar.

É possível continuar essa leitura à distância, comparando uma nova colheita ou retomando uma referência. A viagem oferece o primeiro vínculo; o tempo permite aprofundá-lo.

Entre Passarella e Soito, o Dão ganha essa dupla presença: a de um patrimônio que ainda pode ser descoberto e a de uma história que continua sendo escrita por quem escolheu fazer vinho.

Perfil comparativo das duas casas baseado em fontes oficiais e no desenho do programa WCE. A passagem pela Passarella é apresentada como encontro na loja, conforme a curadoria.

Leituras e referências